Está para sair uma lei que permite as pessoas ainda em perfeito estado de consciência puderem decidir que se um dia o perderem, não querem que os médicos ou outras pessoas decidam reanimá-las ou impedi-las de aceitar a sua morte quando ela vem ou seja que não sejam tomadas medidas que prolonguem a vida.

Isto não é a mesma coisa que EUTANÁSIA que implica ajuda de um médico ou outra pessoa no terminar da sua vida, isso vai continuar a ser ilegal no nosso país. As pessoas podem fazer ou não o TESTAMENTO VITAL.

Eu, pessoalmente não o farei e vou confiar no bom senso e na boa prática médica dos colegas que me estiverem a tratar. É perigoso decidir antecipadamente uma coisa destas.

No "momento" se verá que tipo de comunicação ainda é possível, verbal ou não com quem nos está a prestar os cuidados.

IMPORTANTE É:

- Melhorar a confiança na relação médico-doente e a intimidade que essa relação deve pressupor.

- Uma formação pré e pós-graduada dos médicos que valorize a sua capacidade de humanidade e não só o desempenho de tarefas meramente técnicas e de produtividade apenas medidas em números e não em qualidade e resultado final de benefício para o paciente.

- A formação moral e ética do médico e que ela seja apreciada por quem o avalia.

- A boa relação do médico com a sua própria morte.

- Haver uma cultura de humanidade na vida e na morte, que desde a infância as
pessoas se habituem com a ideia de que um dia ela vai acontecer e que se estiverem junto da família ou de profissionais de saúde carinhosos ela se fará com menos sofrimento. As pessoas devem ser educadas para a morte assim como são por exemplo para a sexualidade.

- Os estados devem conseguir proporcionar cuidados paliativos e separá-los dos
curativos. Mas também é importante que os cidadãos aprendam a ajudar os seus e que deixe de haver a tendência atual de levar um familiar para morrer no hospital porque não se tem maturidade e conhecimento para o ajudar em casa. Há 30 anos 20% das mortes aconteciam nos hospitais, atualmente são cerca de 70%.

Esta é a principal questão do entupimento dos hospitais que deveriam servir para salvar vidas e não para ajudar a morrer. Os profissionais de saúde sofrem com isto de muitas e diferentes maneiras. A população que precisa de cuidados verdadeiramente imediatos, por vezes não os consegue ter devido ao entupimento do sistema de saúde.

Não há sistema de saúde que aguente prestar cuidados de primeira qualidade se a população que serve não tem o mínimo de cultura sobre os seus direitos e deveres.

- Os governos e a sociedade civil deviam tentar atuar ao nível da educação para uma vida melhor e uma morte mais digna.

CONCLUINDO:
O caminho está em perguntarmos todos: "O QUE É QUE PODEMOS FAZER UNS PELOS
OUTROS?"