Nos últimos 30 anos assistiu-se à utilização crescente da ecografia na vigilância da gravidez devido à evolução tecnológica. Aumento da qualidade dos aparelhos e das imagens obtidas.

Nos últimos 25 anos a ecografia é exame de rotina na vigilância pré-natal também porque se sabe não tem efeitos deletérios no feto ou na grávida.

Além do seu valor na datagem da gravidez, rastreio de anomalias cromossómicas, deteção de defeitos congénitos e anomalias do crescimento fetal, avaliação do bem-estar fetal e como guia de técnicas invasivas como a amniocentese, biopsia das vilosidades coronárias e cordocentese tem um efeito muito intenso na relação ante natal estabelecida entre mãe, pai e filho e/ou outros familiares que assistam à ecografia.

A tecnologia não pára e cada vez há ecógrafos com melhor resolução e capacidade de deteção de imagens já a três dimensões e em tempo quase real (4D). Estes ecógrafos são muito mais dispendiosos e necessitam de uma utilização diária muito grande para que os seus "leasings" sejam amortizados e acabam por ser utilizados em centros ecográficos de referência onde estão médicos radiologistas ou ginecologistas que se dedicam fundamentalmente a esta área de atuação ou licenciados em Ciências e Tecnologia da Saúde.

A maior parte dos ginecologistas que fazem clínica médica e/ou cirúrgica fazem ecografias de apoio com ecógrafos de menor valor.

Perguntei a uma colega que se dedica a ecografias de nível II e III como é que ela explicava a deteção ecográfica da espinha bífida às grávidas que iam ao seu centro fazer as ecografias, ela explicou da seguinte forma:

- "A coluna normalmente já a partir das 19-20 semanas está perfeitamente fechada. Em alguns casos, principalmente devido a défice de ácido fólico, mas também se houver familiares com o mesmo problema, existe uma abertura a nível das últimas vértebras e, portanto, a medula ou as membranas que cobrem a medula, saem para fora provocando um alto na parte de baixo das costas. Este alto vê-se na ecografia morfológica ou do 3o trimestre como uma bolinha sem pele por cima e vê-se no cérebro com outros sinais. A isto nós chamamos espinha bífida aberta. Às vezes existe também um defeito a nível da coluna normalmente mais pequeno que é coberto com a pele, este é muito difícil de se ver com a eco e chama-se espinha bífida oculta."

Convém acrescentar que a deteção da espinha bífida também é suspeitada por níveis aumentados de alfa-fetoproteína no líquido amniótico, detetados na amniocentese ou no soro materno e suspeitados no rastreio bioquímico. Concluindo: é mais difícil dizer qual é a idade gestacional em que é possível determinar uma malformação do que a partir de que idade uma determinada malformação pode ser excluída.